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Povos indígenas de MS tiveram 42 suicídios e 74 mortes de crianças em 2025, aponta Cimi

Mato Grosso do Sul lidera o número de mortes de indígenas por falta de assistência à saúde em 2025. Foram 14 óbitos, o maior total entre os estados, além de 42 suicídios e 74 mortes de crianças indígenas de até 4 anos, revela o relatório do Cimi (Conselho Indigenista Missionário), entidade ligada à CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil).

O documento, publicado nesta quinta-feira (13), também expõe problemas estruturais que podem ser apontados como causa dessas mortes de pessoas indígenas. Há relatos de superlotação e moradias precárias, falta d’água em várias aldeias, ausência de atendimentos de saúde e dificuldades de acesso à educação.

O Cimi classifica que há omissão e negligência do Poder Público em Mato Grosso do Sul e narra que, em alguns casos, as responsabilidades viram um “jogo de empurra entre Funai [Fundação Nacional dos Povos Indígenas], prefeituras e Governo do Estado”.

‘Omissão e negligência’

Em todo o Brasil, foram registrados 58 casos classificados como desassistência geral, sendo quatro no Estado. Em Miranda, o povo Kinikinau tem 200 pessoas, que enfrentam “violência estrutural e econômica” e “superlotação em moradias precárias, sem acesso regular à água potável”.

Já em Caarapó, “a comunidade Guarani-Kaiowá denunciou omissão e a negligência do Estado diante das violações enfrentadas”. Por fim, indígenas de Campo Grande relatam que “o Poder Público não assume as políticas necessárias, que acabam virando um jogo de empurra entre Funai, Prefeitura e governo estadual”.

O acesso à educação é “precário e insustentável” em Aral Moreira, onde 70 crianças Guarani-Kaiowá precisam andar 40 minutos para chegar à escola. Já os Guató da Barra de São Lourenço, em Corumbá, não têm acesso ao ensino médio na aldeia e têm de “interromper a formação básica ou deixar a comunidade para continuar os estudos” na cidade. Em Miranda, falta transporte escolar e as aulas ocorrem em um barracão.

Com 74 crianças de até quatro anos mortas em 2025, Mato Grosso do Sul registra a 4ª maior mortalidade infantil do país. A maior parte das vítimas eram meninos (44) e outras 29, meninas.

Além disso, o Estado lidera os óbitos por desassistência à saúde, com 14 vítimas (sete homens e sete mulheres). Por fim, MS tem o segundo maior número de suicídios indígenas no Brasil, 42 vítimas no ano passado — dessas, 74% (31) eram homens.

Com sede e sem saúde

Há treze casos identificados de desassistência em saúde em Mato Grosso do Sul. Na Barra de São Lourenço, por exemplo, não há atendimento médico e o barco da Sesai (Secretaria de Saúde Indígena) “passa em frente à aldeia para atender outra área indígena demarcada, mas não para prestar assistência às famílias Guató”.

A comunidade indígena de Laranjal, em Jardim, também “enfrenta desassistência na área da saúde devido à ausência de atendimento regular do Dsei [Distrito Sanitário Especial Indígena]”, afirma o relatório do Cimi.

Em junho de 2025, uma gaze cirúrgica foi esquecida no abdômen da indígena Guarani-Kaiowá Naiara Arce da Silva durante uma cesariana no Hospital Universitário da UFGD, em Dourados. Após meses com dores e infecções, ela passou por cirurgia de emergência e precisou usar bolsa de colostomia. O caso foi denunciado como violência obstétrica, e o hospital reconheceu a falha e informou que revisaria seus protocolos.

Falta acesso à água potável para os Terena de Miranda. “Em algumas épocas do ano, as famílias permanecem dias sem abastecimento”, narra o relatório. O Dsei teria direcionado o caso à prefeitura, mas, “mesmo após mais de um ano de tratativas, nenhuma medida concreta havia sido implementada”.

fonte: midiamax

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