A primeira edição do Cinematoka – 1ª Mostra de Cinema Indígena e Vivência Étnico-Cultural já tem seus filmes selecionados. Ao todo, dez curtas-metragens de diferentes regiões do Brasil integram a programação do evento, que será realizado de 13 a 15 de novembro, na Aldeia Temática Tekoá Mirim, em Aracruz, no Espírito Santo.
Os filmes escolhidos foram produzidos no Rio Grande do Norte, São Paulo, Rio Grande do Sul, Goiás, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo e apresentam diferentes povos, territórios, linguagens e formas de contar histórias a partir de perspectivas indígenas.
A curadoria, assinada por Marcelo Guarani, Melina Galante e Karol Felicio, definiu as obras que integram a programação da primeira edição da mostra e levou em consideração critérios como originalidade, qualidade artística e técnica e a capacidade de comunicação das obras.
A seleção reúne produções das etnias Tupinambá, Guarani, Kariri, Iny Karajá, Maxakali, Kaingang e Potiguara, além de uma obra dirigida por indígena em contexto urbano, com durações entre quatro e 20 minutos. Entre os trabalhos estão filmes que abordam identidade, território, ancestralidade, cultura, memória e diferentes formas de expressão dos povos indígenas.
Além da mostra de cinema, o evento terá oficinas e vivências ligadas ao grafismo, artesanato, benzimento e outros saberes dos povos originários.
Os filmes selecionados
Entre os filmes está “Pupá”, dirigido por Osani, produzido no Rio Grande do Norte, com 14 minutos. A programação inclui ainda “Minha Câmera é Minha Flecha”, de Natália Tupi, e “Os Sonhos Guiam”, da mesma diretora, ambos de São Paulo e da etnia Tupinambá.
Do Rio Grande do Sul chegam “Nhemongarai”, dirigido por Jorge Morinico e Hopi Chapman, da etnia Guarani, e “Fuá, o Sonho”, de Viviane Jag Fej Farias e Amallia Brandolff, da etnia Kaingang.
A seleção inclui ainda “De Una Herida Abierta Gotea Caucho”, de Ana Valente, de São Paulo, da etnia Kariri; “Meu Corpo Território – Uma Performance Originária”, de Hawalari Coxini e Gustavo Pozzatti, de Goiás, da etnia Iny Karajá; e “Kakxop Pahok: As Crianças Cegas”, de Cassiano Maxakali e Charles Bicalho, de Minas Gerais, da etnia Maxakali.
Completam a programação “Usina Cambayba”, de Marcelo Fonseca, do Rio de Janeiro, da etnia Maxacali, e “Yby Katu”, dirigido por Kaylany Cordeiro, Jessé Carlos, Ladivan Soares, Geyson Fernandes e Rodrigo Sena, do Rio Grande do Norte, da etnia Potiguara RN.
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Cinema, comunidade e território
O Cinematoka começa a ser construído antes mesmo de o primeiro filme ser exibido. Na Aldeia Temática Tekoá Mirim, as ocas de recepção e de cinema estão sendo refeitas do zero, com novas madeiras e piaçava, em uma reforma que pode estender a vida dessas estruturas por mais de 20 anos.
A construção da mostra acontece de dentro para fora: indígenas participam da curadoria, os filmes são de realizadores de diferentes etnias, as vivências serão conduzidas pela própria comunidade e o grafismo, a ambientação e os troféus também nascem de mãos indígenas. O evento, assim, não chega pronto à aldeia. Ele é feito com quem vive esse território.
O Cinematoka – Mostra de Cinema Indígena e Vivência Étnico-Cultural do Espírito Santo é uma realização da Tekoá Produções, com apoio da EDP, distribuidora de energia elétrica do Espírito Santo, por meio da Lei de Incentivo à Cultura Capixaba (LICC), da Secretaria da Cultura do Estado do Espírito Santo (Secult-ES).
Fonte: almapreta.com.br



