A 30ª Conferência do Clima da ONU, a COP30, em Belém, terminou neste sábado, 22 de novembro, com um pacote de decisões sobre temas importantes para a luta contra a crise climática, como objetivos de adaptação e um mecanismo para transição justa, além de avanços inéditos para povos indígenas e afrodescendentes. No entanto, a conferência acabou sem conseguir trazer respostas imediatas para o tema que mais travou os debates nos últimos dias: a ideia de um mapa do caminho que pudesse nos conduzir para longe dos combustíveis fósseis.
A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, principal fiadora desta proposta ao longo de todo ano, afirmou, ao final do plenária de encerramento da COP: “Em que pese ainda não ter sido possível o consenso para que esse fundamental chamado entrasse nas decisões desta COP30, tenho certeza de que o apoio que recebeu de muitas partes e da sociedade fortalece o compromisso da atual presidência de se dedicar para elaborar dois mapas do caminho.”
“Enfim, progredimos, ainda que modestamente”, disse Marina. “Ainda estamos aqui! E seguimos persistindo no compromisso de empreender a jornada necessária para superar nossas diferenças e contradições no urgente enfrentamento da mudança do clima.”
Presidente da COP30, André Corrêa do Lago cumprimenta Marina Silva, Ministra de Estado do Meio Ambiente e Mudança do Clima do Brasil, durante plenária de encerramento da 30ª Conferência das Partes (COP30)
Sem uma solução dentro do processo negociador da Convenção do Clima da ONU (UNFCCC), o presidente da COP, embaixador André Corrêa do Lago, se comprometeu a conduzir, por conta própria, uma discussão no ano que vem sobre mapas do caminho tanto para reduzir a dependência dos combustíveis fósseis quanto para zerar o desmatamento no mundo. Mas esse será um processo paralelo, conduzido por ele – e não conta como uma medida que todos os países se comprometem.
“É meu dever reconhecer algumas discussões muito importantes que se deram em Belém e que precisam continuar durante a presidência brasileira até a próxima COP, mesmo que não estejam refletidas nos textos que aprovamos. E eu quero reafirmar que eu vou tentar não desapontar vocês durante a minha presidência. Então, eu, como presidente da COP30, vou criar dois mapas do caminho: um para frear e reverter o desmatamento. E outro para a transição para longe dos combustíveis fósseis, de maneira justa, ordeira e equitativa”, afirmou Corrêa do Lago.
A transição para economias menos dependentes dos fósseis nunca foi um item da agenda formal que precisava ser decidida na conferência entre os 194 países participantes, mas ganhou tração nos últimos dias, principalmente depois que Colômbia, juntamente com outros países da América Latina, da Europa, e nações mais vulneráveis à crise do clima, começaram a fazer uma defesa enfática de que isso estivesse contemplado de algum modo nas decisões finais da COP.
A proposta tinha sido lançada já no início da conferência pelo presidente Lula, que repetiu o apelo diversas vezes e chegou a voltar a Belém no meio da semana para tentar impulsionar a ideia entre outros países em uma série de reuniões bilaterais.
Isso porque nações produtoras de combustíveis fósseis, como Arábia Saudita e Índia, não queriam nem saber de uma menção neste sentido. Eles ameaçavam bloquear outros itens que eram discutidos e alegavam que é impossível discutir transição sem, antes, ser discutido o financiamento, principalmente público, de países desenvolvidos, para os em desenvolvimento.
Fonte: apublica.org




