Quase três anos depois de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ter subido a rampa do Palácio do Planalto ao lado do cacique kayapó Raoni Metuktire, o movimento indígena vem protagonizando as principais manifestações que ocorrem durante a COP30, que está sendo realizada em Belém e vai até o dia 21 de novembro.
Desde o início da conferência que discute as mudanças climáticas, indígenas realizaram pelo menos três grandes protestos, incluindo um que resultou na invasão do principal pavilhão do evento e outro que bloqueou, por algumas horas, a entrada do local.
O incidente fez com que o comando da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCC, na sigla em inglês) cobrasse mais segurança no entorno das instalações onde a COP30 está sendo realizada.
No sábado (15/11), centenas de indígenas se uniram a manifestantes de movimentos sociais em uma marcha pelas ruas do centro de Belém. O protesto foi pacífico.
Desde o início das manifestações, o governo adotou uma postura cautelosa e evitou criticar os protestos.
Na sexta-feira (14/11), quando indígenas do povo Munduruku bloquearam a entrada do pavilhão onde funciona a zona azul (local onde ocorrem as negociações) da COP30, o presidente da conferência, André Corrêa do Lago, e as ministras do Meio Ambiente e dos Povos Indígenas, Marina Silva e Sônia Guajajara, se reuniram com as lideranças e conseguiram desmontar o bloqueio.

No sábado, Marina Silva chegou a dar boas-vindas a manifestantes que se concentraram no centro de Belém.
“Depois de alguns períodos da realização das COPs em outras realidades políticas, num mundo onde as manifestações eram feitas dentro do espaço da ONU, agora no Brasil, um país do sul global, em uma democracia conquistada e consolidada, sejam bem-vindas”, disse a ministra.
Fonte: BBC




